Todos os posts em: Crônica Urbana

“Ele não é pesado! É meu irmão.”

A famosa canção He Ain’t Heavy, He’s My Brother (gravada por diversos cantores como, por exemplo, The Hollies e Neil Diamond) tem várias teorias sobre a inspiração desta bela composição. Uma delas relata que nasceu de uma história na guerra do Vietnã, quando um jornalista viu um garoto de 10 anos carregando um menino de uns 4 anos nas costas . E ele perguntou se não era muito peso pra ele, já que estavam fugindo de um bombardeio, e a resposta do garoto foi : Ele não é um peso , é meu irmão . Uma outra versão desta inspiração, conta-se que esta música está na seguinte história: certa noite em que caia uma neve muito intensa em Washington, alguém bateu à porta da sede de um orfanato. Ao abrir a porta, o padre se deparou com dois meninos cobertos de neve. O maior trazia em suas costas o outro menino, mais novo. Com poucas roupas e rostos bem debilitado pelo frio e fome,, o padre os convidou a entrar, exclamando: “Ele deve ser muito …

As balas do farol

Com milhares de pessoas desempregadas, há cada vez mais gente trabalhando no mercado informal. Há ainda o aumento daquelas pessoas que vendem balas no farol, recarregador de baterias de telefones celular e crianças que são utilizadas pelos pais para ganharem trocados lavando os vidros do carro nos sinais. Agora estão surgindo uma nova leva de pessoas que ganham alguns trocados: são os malabaristas e mágicos, que durante um minuto alegram os motoristas e recebem um dinheirinho e transformam os principais semáforos da cidade em um verdadeiro ponto comercial. O lado negativo são as crianças que são exploradas nestes locais revelando à sociedade que a política social falhou em todos os aspectos, no âmbito federal, estadual e municipal. Quando uma criança bate nos vidros fechados de nossos carros, apenas balançamos a cabeça dizendo que não temos nada, no máximo, procuramos algumas moedinhas e damos as crianças. Mas também poderíamos, como sociedade exigir mais de nossos governantes por uma educação transformadora a começar com a escola que deveria acolher esta criança, pois nestes tempos de crise a …

Quem é você? Qual é o seu nome?

Quando alguém pergunta pelo meu nome, tenho o maior prazer em me apresentar. Agora, quando alguém me pergunta: “Quem é você?” É tão estranho que me sinto ofendido, pois nesta altura da vida, em uma sociedade tão cheia de números mal sabemos quem somos, por exemplo: na ficha do dentista, apareço como cliente; no restaurante, sou freguês; se alugar uma casa, sou inquilino; no ônibus, sou passageiro; na faculdade, sou estudante. Para piorar a situação, temos múltiplas identidades, quando vou ao supermercado, sou consumidor; para a Receita Federal, sou contribuinte; se não pago, sou sonegador. Nesta semana, vi que a fatura do meu cartão de crédito tinha vencido, então sou inadimplente. Ano que vem haverá eleições, então, serei eleitor; no comício, sou massa; em viagem, sou turista; na rua, caminhando, sou pedestre; se me atropelam, sou acidentado; no hospital, me transformo em paciente e para os jornais, serei a vitima. Mas, se comprar um livro, me transformo em leitor; ao ligar o rádio, serei ouvinte e para alguns institutos de pesquisas sou um mero espectador. …

Singelamente

Foi bem assim, devagar, entende? Eu estava andando pela Avenida Cupecê, lá na Cidade Ademar, quando eu a vi entrando na igreja. Ela estava toda nua e estava sozinha. Era uma morena de aproximadamente 1.70 de altura com os cabelos cacheados e cumpridos até a cintura. Pensei até que fosse pegadinha ou propaganda de televisão. Dois dias depois descobri que o Carlos a conhecia, e ele me disse que o nome dela era Penélope. Achei estranho, pois nunca conheci ninguém com o nome de Penélope, a não ser a da literatura. Contei o fato ao Renato, e, de imediato ele desmentiu o Carlos e disse que esta menina estudava no Leonor Quadros, uma escola pública da Cidade Ademar, e que o nome verdadeiro dela era Amélia e que estava muito deprimida por ter acabado o seu casamento. Semanas se passaram e eu encontrei a Suzi, e sem querer ela tocou no assunto da mina que entrou nua na igreja. Ela disse que conhecia a irmã dela, e disse que tinha ficado louca depois de um …