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Prefeitura lança edital para Terminal Jardim Miriam e divide opiniões na região

Prefeitura relata que terminal beneficiará 200 mil pessoas diariamente, entretanto 126 imóveis serão desapropriados na região.

A possível construção do Terminal Jardim Miriam anunciada pela Prefeitura de São Paulo, após a publicação da licitação para a empresa que deverá construir a obra, no último dia 1º de setembro, divide a opinião dos moradores da região. De acordo com a SP Trans, responsável pela obra, o terminal vai beneficiar mais de 200 mil pessoas diariamente, entretanto, centenas de pessoas seriam prejudicadas, pois a obra prevê a desapropriação de cerca de 100 residências em local que é um dos mais antigos do bairro.

Em julho o prefeito Ricardo Nunes publicou o decreto 61.529 declarando de utilidade pública o possível local da construção do terminal, que é da Avenida Cupecê, com as ruas Luís Stolb e Francisco Alves de Azevedo, cujas quadras totalizam uma área de 18 mil metros quadrados, e envolve 126 residências.

O edital publicado em setembro pela SP Trans, abriu a licitação técnica para a contratação da empresa que  deve realizar os serviços especializados para a consolidação do projeto funcional básico e a elaboração dos estudos ambientais e territoriais para a obra do futuro terminal. A entrega dos envelopes já está marcada para o dia 9 de novembro e o projeto faz parte do Plano de Metas da Prefeitura de 2021 – 2024.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, informa que está licitando estudos ambientais, territoriais, projeto funcional e básico para a implantação do Terminal Jardim Miriam, que deve beneficiar diretamente 200 mil passageiros da Zona Sul de São Paulo.

O projeto prevê que o novo equipamento seja instalado junto aos cruzamentos da Avenida Cupecê e as ruas Luís Stolb e Francisco Alves de Azevedo. A obra está prevista no Programa de Metas da Prefeitura para o período de 2021/2024 e levará aos passageiros da Zona Sul melhorias na qualidade, segurança e acessibilidade, sendo ambientalmente sustentável.

Área declarada como utilidade pública pela Prefeitura de São Paulo para a construção do terminal

A SPTrans informou ao jornal O Bairro que está adotando as providências necessárias junto à Subprefeitura de Cidade Ademar, para, em conjunto, realizar uma reunião com a comunidade local nas próximas semanas.

Quanto às desapropriações, os estudos territoriais em contratação contemplam a elaboração de laudos de avaliação, que subsidiarão os processos de indenização conforme previsto em lei. Esta ação deve ser realizada de acordo com a legislação vigente sobre o tema e suas normas técnicas.

Moradores relatam que não tiveram participação na decisão

De acordo com Benedito de Oliveira, o Benê  – Presidente da Sociedade Amigos do Jardim Miriam (SAJM), uma das entidades mais antigas da região, uma das pautas dos moradores é a construção do terminal, porém em um local onde o impacto não prejudique moradores. “O local escolhido pela prefeitura é longe da Praça do Jardim Miriam, e há locais públicos que deveriam ser priorizados na região, como o terreno atrás do Poupa Tempo”, sugeriu.

Para Benê, desapropriação deveria ser da área comercial na região da Praça do Jardim Miriam, onde o impacto seria menor.

Benê em entrevista, relata que o hoje o Jardim Miriam é a capital da região da Cidade Ademar e Pedreira, por conta de nossa localização. “As autoridades devem ter um novo olhar para o Jardim Miriam e ver o impacto que pode causar na Cupecê com o terminal naquele local mais afastado, pois teriam que reestruturar todas as linhas de ônibus. Se a Prefeitura quer visibilidade no terminal, por que não desapropriam os comércios no entorno da Praça do Jardim Miriam, com certeza o impacto seria menor”. Ainda há tempo de m, comentou.

Para a comerciante Lucilene Francisca, proprietária da Padaria Santo Afonso, a construção do terminal vai ajudar muitas pessoas. “Precisamos com urgência de um terminal aqui na zona sul, pois estão acontecendo muitos empreendimentos na região e o bairro necessita desta obra. Só para ter uma ideia, aqui na padaria passam mais de 1,2 mil pessoas por dia”, relatou.

Para Felipe Santos, comerciante, que está do outro lado da avenida, o terminal vai trazer melhorias, pois já tem o Poupa Tempo, e muitas pessoas de outros bairros vêm até o local. Vai ser bom, mas as pessoas que serão prejudicadas devem ser ressarcidas com um valor justo e não podem ser prejudicadas. “A acessibilidade será ótima, e será bem vindo, desde que não prejudique os moradores que serão desapropriados, se for bom pra eles será ótimo para a população”, afirmou.

Já o comerciante Rodrigo Bottos, da JM Parafusos afirma que o terminal não será benéfico. “Vai tirar muita gente antiga daqui, o único lado positivo é que não vai haver mais ônibus estacionados nas ruas, ficarão no terminal, se pagarem um valor justo para as pessoas, tudo bem”.

Para Luana Loyola, gerente do Sacolão da Economia, a prefeitura deve pensar primeiro nos moradores. “Como comerciante penso no impacto comercial que isto pode gerar, como cidadã, tirar as pessoas de suas residências que construíram por anos é difícil de opinar. A Prefeitura deve consultar as pessoas e tomar uma decisão que não prejudique ninguém”.

Samantha Costa é uma das comerciantes mais antigas do bairro, é proprietária da RA Máquinas, que fica na esquina da Avenida Cupecê com a Rua Brás de Abreu. “No passado, o terminal seria construído nesta área, mas após a invasão das pessoas nas décadas de 60 e 70 desistiram da ideia. Hoje a construção do terminal é essencial para os moradores. Acho que a prefeitura deve seguir a lei e pagar o que é justo. Se os moradores estão com suas documentações regularizadas, irão receber o valor justo de seu imóvel”, comentou.

Projeto do Terminal Jardim Miriam já teve vários locais

O Terminal Jardim Miriam já foi debatido pelas autoridades e a comunidade nas últimas décadas. O projeto já foi sugerido na Rua Brás de Abreu; na Rua Ângelo Criatinini; no terreno onde foi construído o Poupa Tempo e a última vez foi na Avenida Cupecê, onde seria demolida a igreja Nossa Senhora Aparecida.

Estava tudo certo para a demolição de várias casas e comércio local, inclusive a Igreja, na época, o Padre Antônio, da paróquia vizinha interviu junto a prefeitura para barrar a demolição.

Padre Antônio à direita no gabinete da Prefeita Luiza Erundina impedindo que derrubasse as casas e a Igreja vizinha Nossa Senhora Aparecida para a construção de um terminal de ônibus no inicio dos anos 90 – Arquivo

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